Violeiros do Brasil traz - em espetáculos, livro, DVD e CD - os artistas que fazem da viola caipira um dos instrumentos mais populares do país e, certamente o preferido nas rodas e festas populares do interior. Representa o nosso chão, o dia a dia de nossa gente. Sua música traduz o espírito de Guimarães Rosa, de Lampião, da Folia de Reis, com uma sonoridade característica que é a um só tempo, a realidade árida e o mistério profundo desse universo brasileiro.

Fazem parte desta série: Adelmo Arcoverde, Almir Sater, Braz da Viola, Ivan Vilela, Passoca, Paulo Freire, Pena Branca, Pereira da Viola, Roberto Corrêa, Tavinho Moura e a dupla Zé Mulato. O projeto mostra a diversidade de composições e interpretações para o instrumento e a versatilidade com que cada violeiro o domina. Estabelece uma identificação entre esses artistas e os costumes de seus lugares de origem.

Trazida pelos portugueses e pelos jesuítas a viola ganhou, com o passar dos séculos, contornos autenticamente brasileiros, vindo a representar uma das expressões que melhor define a cultura musical do interior do país.

O toque da viola é a visão que o violeiro tem da natureza. Segundo Roberto Corrêa, os violeiros tradicionais acreditam que a arte da viola é um dom de Deus; quem não nasceu com ele, dificilmente será um violeiro. É por isso que os grandes tocadores aprendem sua arte, sobretudo, no convívio de suas tradições.

Com o passar do tempo, a viola conquistou novos adeptos, público mais amplo e outros espaços. Das cantigas tradicionais, passou a ser valorizada como instrumento de concerto. Firmou-se com características técnicas e afinações notadamente brasileiras, desdobrando-se a variações e estilos de região para região.